Pânico

Crise de pânico e transtorno de pânico

Cortina leve e plantas ao fim da tarde, um canto de calma dentro de casa

Resposta rápida

Crise de pânico é um episódio repentino de medo intenso, com sintomas físicos como coração acelerado, falta de ar, tontura e sensação de morte iminente. Costuma atingir o pico em poucos minutos e passar. Quando as crises se repetem e geram medo constante de uma nova, pode haver transtorno de pânico. A terapia cognitivo-comportamental é um dos tratamentos mais recomendados, e o diagnóstico deve ser feito por profissional.

Num instante comum, dentro do ônibus, na fila do mercado ou deitado na cama, o coração dispara, o ar parece faltar e surge a certeza de que algo gravíssimo está acontecendo. Muita gente vai parar no pronto-socorro achando que é um infarto. Depois, mesmo com os exames normais, fica o medo de que aconteça de novo.

Se você já passou por isso, saiba que a crise é assustadora, mas tem explicação e tem tratamento. Este texto é informativo e não substitui avaliação profissional.

O que é uma crise de pânico?

Uma crise de pânico é uma onda súbita de medo ou desconforto intenso, acompanhada de sintomas físicos marcantes. O Ministério da Saúde descreve crises repentinas de ansiedade, com forte medo e sintomas no corpo, que podem acontecer em qualquer lugar ou momento. Para muitas pessoas, ela surge sem aviso e sem uma ameaça real por perto.

Uma crise isolada não significa necessariamente transtorno. O transtorno de pânico é caracterizado por crises recorrentes e inesperadas, seguidas de preocupação persistente com novas crises ou de mudanças de comportamento para evitá-las. Quem faz essa distinção é o profissional, após avaliação.

O que acontece no corpo durante uma crise de pânico?

No corpo, a crise é o alarme de perigo disparando sem que haja perigo. O organismo libera adrenalina, o coração e a respiração aceleram e os músculos se preparam para lutar ou fugir, e é isso que provoca as sensações assustadoras. O Ministério da Saúde lista esses sintomas:

  • Batimentos acelerados e dor ou aperto no peito.
  • Dificuldade para respirar e sensação de sufocamento.
  • Tontura, náusea, tremores e formigamento.
  • Sensação de irrealidade ou de estar fora do corpo.
  • Medo de morrer ou de perder o controle.

O que fazer durante uma crise de pânico?

O que costuma ajudar durante uma crise é diminuir o ritmo do corpo e lembrar de forma realista que ela vai passar. Algumas estratégias simples e seguras podem ser úteis:

Se for a primeira vez, se a dor no peito for forte, se houver falta de ar que não melhora ou qualquer dúvida sobre a causa, não tente resolver por conta própria: procure o pronto-socorro ou uma UPA.

  • Respire devagar. Inspire pelo nariz contando até quatro e solte o ar pela boca, mais lentamente, contando até seis. Soltar o ar devagar ajuda o corpo a desacelerar.
  • Use a ancoragem. Perceba cinco coisas que você vê, quatro que consegue tocar, três sons, dois cheiros e um gosto. Isso leva a atenção do medo para o ambiente.
  • Diga a si mesmo uma frase realista: “Isso é uma crise de pânico, é desconfortável, mas vai passar”.
  • Não lute contra as sensações. Tentar eliminá-las costuma aumentar o medo. Deixe a onda subir e descer.
  • Evite álcool e outras substâncias para tentar aliviar, como orienta o Ministério da Saúde, e não se automedique.

Por que evitar situações piora o pânico?

Evitar o que lembra a crise traz alívio imediato, mas fortalece o medo a longo prazo. Se você deixa de pegar ônibus, de ir ao shopping ou de ficar em casa sem companhia por receio de ter uma nova crise, o cérebro aprende que esses lugares eram realmente perigosos. A lista de situações evitadas tende a crescer.

Em alguns casos isso evolui para a agorafobia, que a OMS define como medo e evitação de situações em que a pessoa teme sentir pânico ou se ver sem saída. O tratamento busca justamente desfazer esse ciclo, devagar e com apoio.

O que causa o transtorno de pânico?

O transtorno de pânico não tem uma causa única. Fatores genéticos, períodos de estresse prolongado, perdas, mudanças importantes e a forma como a pessoa interpreta as sensações do próprio corpo podem contribuir. Segundo a OMS, os transtornos de ansiedade costumam começar na infância ou na adolescência. O Ministério da Saúde lembra que o diagnóstico pode demorar porque alguns sintomas se confundem com os de um infarto, daí a importância de uma avaliação cuidadosa.

Como a TCC trata o transtorno de pânico

A terapia cognitivo-comportamental é considerada pelo Ministério da Saúde uma opção de primeira linha para o transtorno de pânico, e a OMS inclui a TCC entre as intervenções psicológicas essenciais para transtornos de ansiedade. O trabalho começa por entender como o ciclo funciona: uma sensação no corpo, um pensamento de ameaça (“vou desmaiar”), mais medo e mais sensações.

Uma técnica usada é a exposição interoceptiva, nome técnico para algo simples de explicar. Em um ambiente seguro e orientado pelo psicólogo, a pessoa provoca de propósito, por pouco tempo, sensações parecidas com as da crise, como respirar mais rápido ou girar numa cadeira. Ao ver que o desconforto sobe, desce e não causa o desastre temido, o cérebro aprende que aquelas sensações não são perigosas. Esse exercício deve ser feito com acompanhamento, não por conta própria.

A terapia também inclui reavaliar pensamentos catastróficos, treinar respiração e enfrentar aos poucos as situações evitadas. A Elane atende 100% por terapia online. Em alguns casos o psiquiatra avalia a necessidade de medicação, que pode ser combinada à psicoterapia.

  • Compreender o ciclo do pânico e o papel dos pensamentos.
  • Exposição interoceptiva às sensações do corpo, de forma gradual e guiada.
  • Enfrentamento progressivo das situações que passaram a ser evitadas.
  • Treino de respiração e de regulação do corpo.

Quando procurar ajuda profissional ou atendimento de urgência

Dor no peito, falta de ar intensa, desmaio ou sensação de que algo grave acontece exigem avaliação médica, principalmente na primeira vez, pois os sintomas do pânico podem se confundir com os de problemas cardíacos. Em caso de dúvida, procure o pronto-socorro.

Para o cuidado contínuo, vale buscar um psicólogo quando:

  • As crises se repetem ou você vive com medo de que voltem.
  • Você começou a evitar lugares, tarefas ou companhia por receio de ter uma crise.
  • O medo de sentir as sensações do corpo atrapalha o trabalho, o sono ou os relacionamentos.
  • Você usa álcool ou outras substâncias para tentar controlar o medo.

Perguntas frequentes sobre pânico

Quanto tempo dura uma crise de pânico?

A duração varia. Em geral a crise atinge o pico em poucos minutos e depois diminui, durando de alguns minutos a cerca de meia hora, segundo descrições do Ministério da Saúde. O cansaço e o receio podem permanecer por mais tempo depois.

Como saber se é crise de pânico ou infarto?

Os sintomas podem ser parecidos, como dor no peito e falta de ar, e só um médico consegue diferenciá-los. Na primeira vez, ou em caso de dúvida, procure o pronto-socorro.

O que fazer para parar uma crise de pânico?

Respirar devagar, soltando o ar de forma mais lenta do que se puxa, usar a ancoragem nos sentidos e lembrar que a crise passa ajudam a atravessá-la. Lutar contra as sensações costuma aumentá-las.

Crise de pânico mata ou pode causar desmaio?

A crise de pânico em si não é considerada perigosa, embora seja muito assustadora. O medo de morrer faz parte do quadro. Como outras condições podem causar sintomas parecidos, a avaliação médica é importante.

Transtorno de pânico tem tratamento?

Sim. O tratamento costuma envolver psicoterapia, em especial a terapia cognitivo-comportamental, e, em alguns casos, medicação indicada por médico. Muitas pessoas melhoram bastante, mas o resultado e o tempo variam de caso para caso.

Qual a diferença entre ansiedade e síndrome do pânico?

Ansiedade é uma emoção que pode ser intensa e prolongada, enquanto o pânico se manifesta em crises súbitas e curtas de medo, com sintomas físicos fortes. O transtorno de pânico é um dos tipos de transtorno de ansiedade.

Fontes e referências

Este texto é informativo e foi escrito pela psicóloga Elane Cruz (CRP-03/21274). Ele não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento individualizado. Em caso de dúvida sobre sua saúde, procure um profissional.

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