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Bullying é a violência repetida, física ou psicológica, praticada contra alguém em uma relação de desigualdade de poder. Quando acontece na internet, é chamado de cyberbullying. Pode causar vergonha, ansiedade, isolamento e queda do rendimento escolar. Conversar com um adulto de confiança, guardar provas, bloquear e denunciar ajudam. A psicoterapia, como a TCC, pode apoiar o adolescente nos efeitos emocionais.
O adolescente volta da escola mais calado, evita pegar o celular ou inventa dor de barriga para não ir à aula. Em casa, a pergunta “aconteceu alguma coisa?” costuma ter a mesma resposta: “nada”. Muitas vezes, o silêncio é a parte mais difícil de enxergar.
Este texto explica o que é bullying e cyberbullying, quais sinais podem aparecer, como a experiência afeta a saúde emocional e o que famílias e jovens podem fazer. É informativo, não faz diagnóstico e não substitui o acompanhamento de um profissional.
O que é bullying e o que é cyberbullying?
A Lei nº 13.185/2015 descreve o bullying como violência física ou psicológica, intencional e repetida, sem motivo evidente, praticada por uma pessoa ou por um grupo contra alguém, com o objetivo de intimidar ou agredir. Ele causa dor e angústia e acontece em uma relação de desigualdade de poder. A mesma lei descreve o cyberbullying como o bullying feito na internet, por exemplo para humilhar, incitar violência ou alterar fotos e dados pessoais e causar constrangimento.
Segundo o UNICEF, o cyberbullying pode ocorrer em redes sociais, aplicativos de mensagens, jogos e celulares. Uma diferença importante em relação ao bullying presencial é que ele deixa um rastro digital, o que pode ajudar a comprovar o que aconteceu.
- Verbal: xingamentos e apelidos que humilham.
- Social: ignorar, isolar e excluir de grupos e conversas.
- Moral: espalhar boatos e difamar.
- Psicológica: ameaçar, intimidar e manipular.
- Virtual: humilhar online, divulgar ou alterar fotos e dados pessoais.
Quais sinais podem indicar que um adolescente sofre bullying?
Nem todo adolescente conta o que passa. Por isso, mudanças de comportamento merecem atenção. O UNICEF cita, entre os efeitos do cyberbullying, vergonha, nervosismo, ansiedade, insegurança, afastamento de amigos e da família, perda de motivação para atividades de que gostava, dores de cabeça, náuseas, dores de estômago e faltas à escola.
O serviço de saúde do Reino Unido (NHS) também aponta, entre sinais de que uma criança ou jovem pode estar com dificuldades, mudanças importantes de comportamento, problemas de sono prolongados, afastamento de situações sociais e perda de interesse no que antes dava prazer.
- Resistência para ir à escola ou para sair de casa.
- Irritação ou tristeza depois de usar o celular ou o computador.
- Queda no rendimento escolar ou dificuldade de concentração.
- Isolamento, queixas físicas frequentes e sono alterado.
- Objetos ou dinheiro que somem, ou roupas e materiais danificados.
Como o bullying afeta a saúde emocional?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) inclui o bullying entre os fatores de risco para a saúde mental na adolescência e afirma que a qualidade das relações com os colegas é um fator importante para o bem-estar. Na prática, ser alvo repetido de humilhação pode alimentar pensamentos como “tem algo errado comigo” ou “ninguém gosta de mim”, e isso pesa na autoestima.
Com o tempo, muitos jovens passam a evitar situações que lembram o sofrimento, como recreio, grupos de mensagens e festas. A evitação traz alívio imediato, mas pode aumentar o isolamento e a insegurança. O UNICEF ressalta que os efeitos do cyberbullying podem ser superados e que as pessoas podem recuperar a confiança e a saúde.
Como pais e responsáveis podem ajudar?
O NHS orienta que os adultos evitem perguntas diretas e repetidas, que podem fazer o jovem se sentir ameaçado, e que não presumam saber o que está acontecendo. Em vez de perguntar “estão te perseguindo na escola?”, vale começar com um convite aberto, como “como você está?”. Quando o assunto é bullying, o mesmo material recomenda dizer que isso é inaceitável, tranquilizar o adolescente de que não é culpa dele e se comprometer a enfrentar o problema juntos.
Também ajuda deixar claro que a conversa não vai gerar uma reação que o adolescente não deseja. Muitos jovens se calam por medo de perder o celular ou de piorar a situação na escola.
- Escute primeiro: deixe o adolescente terminar antes de opinar ou propor soluções.
- Valide o que ele sente: “deve ter sido muito difícil” vale mais do que “isso é bobagem”.
- Evite punir de imediato: a ideia de perder o aparelho pode levar o jovem a esconder o problema.
- Guarde provas: mensagens, capturas de tela e endereços de perfis.
- Procure a escola: leve o caso à coordenação por escrito, com os fatos e as datas.
- Decidam juntos os próximos passos, para que ele se sinta parte da solução.
O que o adolescente pode fazer?
Para o jovem, o primeiro passo costuma ser o mais difícil: contar para alguém. O UNICEF sugere conversar com um adulto de confiança, como pais, familiares, professores ou orientadores da escola. Também recomenda bloquear quem agride, denunciar na própria plataforma e guardar mensagens e capturas de tela como prova.
- Escolher uma pessoa de confiança e dizer: “preciso de ajuda com uma coisa”.
- Não responder às provocações e não apagar as mensagens antes de guardá-las.
- Bloquear os perfis e usar as ferramentas de denúncia do aplicativo.
- Se um amigo estiver passando por isso, ouvir sem julgar e incentivá-lo a procurar um adulto.
- Lembrar que ser alvo de bullying diz sobre quem agride, não sobre o seu valor.
Como a TCC pode ajudar o adolescente
A terapia cognitivo-comportamental parte da ideia de que pensamentos, emoções e comportamentos se influenciam. Segundo o NHS, ela ajuda a questionar pensamentos e crenças pouco úteis, a notar emoções e sensações sem reagir de imediato e a mudar comportamentos, como voltar a atividades que estavam sendo evitadas.
No caso do bullying, a terapia não substitui as medidas da família e da escola, mas pode dar ao jovem um espaço seguro para falar do que viveu, rever ideias como “eu mereço isso” e retomar, com passos pequenos, a vida social. O atendimento de adolescentes pode ser feito por terapia online, com a combinação de horários e a participação da família conforme a necessidade.
- Identificar os pensamentos que surgem depois das situações de humilhação.
- Examinar o quanto esses pensamentos se sustentam nos fatos.
- Retomar aos poucos atividades e lugares que o jovem passou a evitar.
- Treinar formas de se posicionar e de pedir ajuda.
- Fortalecer a autoestima com experiências concretas de competência e de vínculo.
Quando procurar ajuda profissional
Vale procurar um psicólogo ou psicóloga quando as mudanças duram semanas, afetam o sono, a escola ou as amizades, ou quando o adolescente parece cada vez mais isolado, triste ou ansioso. Em alguns casos, a avaliação médica também é necessária. No SUS, o acolhimento pode começar na unidade básica de saúde ou em um CAPS, e a escola e o conselho tutelar também podem ser acionados quando houver violação de direitos.
- Recusa persistente de ir à escola ou de usar qualquer tela.
- Tristeza, irritação ou medo que não passam com o tempo.
- Queda importante no desempenho ou perda de interesse em tudo.
- Sinais de autoagressão, como cortes ou machucados sem explicação.
- Pensamentos de morte ou de se machucar.
Perguntas frequentes sobre bullying e cyberbullying
Qual a diferença entre bullying e brincadeira?
A brincadeira diverte os dois lados. No bullying, a violência é repetida, a pessoa se magoa e há desigualdade de poder. Se ela pede que pare e o comportamento continua, pode ser bullying, segundo o UNICEF.
O que é cyberbullying?
É o bullying praticado por meios digitais, como redes sociais, aplicativos de mensagens e jogos. Segundo a Lei nº 13.185/2015, inclui humilhar alguém na internet, incitar violência ou alterar fotos e dados pessoais para causar constrangimento.
Meu filho não conta nada. Como saber se sofre bullying?
Observe mudanças de comportamento, como isolamento, queixas físicas, sono alterado e resistência à escola. Em vez de interrogar, faça convites abertos para conversar. Esses sinais podem ter outras causas, e um profissional pode ajudar a entender.
Devo tirar o celular do meu filho se ele sofre cyberbullying?
Em geral, punir o jovem que foi alvo pode fazê-lo esconder novos episódios. É mais útil guardar provas, bloquear, denunciar na plataforma e conversar sobre o uso, em conjunto com a escola quando for o caso.
A terapia ajuda quem sofreu bullying?
Pode ajudar. Na TCC, o jovem trabalha pensamentos que ficam depois da experiência, a autoestima e a volta gradual a atividades evitadas. O ritmo e os resultados variam de pessoa para pessoa e não substituem as medidas de proteção.
Fontes e referências
- UNICEF Brasil — Cyberbullying: o que é e como pará-lo
- Presidência da República — Lei nº 13.185/2015 (Programa de Combate à Intimidação Sistemática)
- OMS — Adolescent mental health (nota informativa)
- NHS (Reino Unido) — Talking to your teenager
- NHS (Reino Unido) — Cognitive behavioural therapy (CBT)
Este texto é informativo e foi escrito pela psicóloga Elane Cruz (CRP-03/21274). Ele não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento individualizado. Em caso de dúvida sobre sua saúde, procure um profissional.


