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A primeira sessão de terapia online é uma conversa de acolhimento por videochamada, na qual o psicólogo ou psicóloga procura entender o que traz você ali, um pouco da sua história e o que você espera do processo, além de combinar sigilo, frequência e funcionamento. Você não precisa levar diagnóstico nem ter um motivo claro: basta começar a conversar.
Marcar a primeira sessão costuma ser a parte mais difícil. Surgem perguntas como “o que eu vou falar?”, “e se eu chorar?” ou “será que meu problema é grave o bastante para procurar um psicólogo?”. Quando o encontro é por videochamada, entram também dúvidas práticas: qual aplicativo usar, onde ficar, como garantir que ninguém vai ouvir.
Este texto explica, de forma geral, como costuma ser esse primeiro encontro, o que vale preparar e quais cuidados existem com sigilo. O conteúdo é informativo; o formato exato de cada sessão é combinado entre você e o profissional que o atender.
Como começa a terapia online?
Na maior parte dos casos, tudo começa com uma mensagem. No atendimento da psicóloga Elane Cruz, o primeiro contato é feito pelo WhatsApp: você conta de forma breve que deseja começar a terapia, e os dois combinam o dia e o horário do primeiro encontro. A sessão, assim como todo o acompanhamento, acontece 100% por videochamada, em uma sala no Google Meet, cujo link é enviado antes do horário combinado.
Não é necessário explicar tudo por mensagem. Os detalhes do que você está vivendo ficam para a conversa em sessão, no seu ritmo. Se tiver dúvidas sobre o funcionamento, é um bom momento para perguntar antes de marcar.
O que preparar para a primeira sessão online?
O essencial é ter um lugar reservado, uma conexão estável e equipamentos que funcionem, porque a qualidade do encontro depende desses três pontos. Vale testar tudo uns minutos antes. Profissionais de psicologia costumam orientar o paciente sobre o local, o equipamento e o uso do programa, e sobre o que fazer se a conexão cair.
- Um ambiente em que você possa falar sem ser ouvido: quarto, escritório ou, se necessário, até o carro estacionado.
- Internet estável. Se puder, prefira o Wi-Fi e feche outros aplicativos durante a sessão.
- Fones de ouvido, que melhoram o som e ajudam a preservar a privacidade.
- Câmera e microfone testados, com o aparelho apoiado e a imagem em boa altura.
- Celular ou computador com bateria carregada e com o Google Meet funcionando.
- Água, lenços e um caderno, se quiser anotar algo; nada disso é obrigatório.
Como costuma ser a conversa na primeira sessão?
A primeira sessão costuma ser uma conversa de conhecimento mútuo, sem testes e sem cobranças. O psicólogo ou psicóloga pergunta o que levou você a procurar terapia naquele momento, escuta com atenção e, aos poucos, busca entender o contexto: como estão o trabalho, as relações, o sono, a saúde e o que já foi tentado antes.
Também é comum falar sobre histórico e objetivos, isto é, o que você gostaria que mudasse e como imagina esse processo. Segundo o serviço de saúde do Reino Unido (NHS), o início de um acompanhamento envolve uma avaliação dos sintomas e dos objetivos da pessoa, e essa avaliação pode ser feita online ou por telefone. Ao final, costumam ser combinados pontos práticos, como a frequência dos encontros, a forma de remarcar e o sigilo.
- Entender o que traz você à terapia e há quanto tempo isso incomoda.
- Conhecer um pouco da sua história, rotina e rede de apoio.
- Conversar sobre o que você espera do acompanhamento.
- Combinar frequência, dia e horário, e como funcionam as remarcações.
- Esclarecer o sigilo e as dúvidas sobre o formato online.
E se eu chorar, não souber o que falar ou não tiver um motivo claro?
Chorar, ficar em silêncio ou não saber por onde começar são reações comuns na primeira sessão e não atrapalham o encontro. O espaço existe justamente para isso, e o profissional costuma conduzir a conversa com perguntas simples quando a pessoa trava. Você pode dizer até “eu não sei por onde começar”, que já é um começo.
Também não é preciso levar diagnóstico, exames ou um motivo bem definido. Muita gente chega apenas com um mal-estar difícil de nomear, como cansaço constante, irritação ou a sensação de estar no automático. Ajudar a dar nome a isso faz parte do trabalho. Se você tiver relatórios ou laudos anteriores, pode mencioná-los, mas eles não são condição para começar.
A terapia online é sigilosa e regulamentada?
Sim, a terapia online é uma modalidade regulamentada pelo Conselho Federal de Psicologia, e o sigilo continua sendo um dever do profissional. A norma que trata do tema é a Resolução CFP nº 9/2024, de 18 de julho de 2024, que disciplina a psicologia mediada por tecnologias digitais de informação e comunicação.
Segundo o texto da resolução, o contrato do serviço pode ser escrito ou verbal e deve tratar da natureza do trabalho, dos direitos e deveres de cada parte e das tecnologias utilizadas. A psicóloga ou o psicólogo também deve informar quais recursos tecnológicos usa para garantir o sigilo. Do seu lado, ajuda escolher um local reservado e usar fones de ouvido, para que a conversa permaneça só entre vocês. Mais informações sobre o formato estão na página de terapia online.
Como saber se combinou com o profissional?
Combinar com o profissional significa sentir-se minimamente à vontade, escutado e respeitado, e entender como o trabalho vai acontecer. Uma sessão só não precisa dar todas as respostas; o vínculo se constrói com o tempo, e é legítimo observar como você se sentiu e conversar sobre isso no encontro seguinte.
Alguns pontos ajudam a avaliar: você teve espaço para falar? Os combinados ficaram claros? Houve respeito ao seu ritmo? Também vale conferir o registro profissional no conselho regional de psicologia. A psicóloga Elane Cruz atua com registro CRP-03/21274 e trabalha com terapia cognitivo-comportamental; você pode saber mais na página sobre ela.
E depois da primeira sessão?
Depois do primeiro encontro, a terapia segue com sessões regulares, cuja frequência é combinada entre as partes. Em abordagens como a TCC, o psicólogo ou psicóloga define junto com você os objetivos do processo, e, de acordo com o NHS, a prática de habilidades entre uma sessão e outra é considerada parte importante do trabalho. A Organização Mundial da Saúde também registra que as terapias psicológicas podem ser oferecidas individualmente ou em grupo, inclusive online.
- Definir, aos poucos, o que você deseja trabalhar primeiro.
- Acompanhar como você se sente ao longo das semanas.
- Ajustar o ritmo e a frequência quando for necessário.
- Conversar abertamente sobre o que está ou não ajudando.
Quando vale marcar a primeira sessão
Você não precisa esperar uma situação extrema para procurar terapia: sofrimento que se repete, que atrapalha o sono, o trabalho, os estudos ou as relações já é motivo suficiente. Se houver tristeza persistente, crises de ansiedade ou sensação de que não está dando conta, a avaliação profissional é ainda mais recomendada. No SUS, o acolhimento pode começar em uma unidade básica de saúde ou, conforme o caso, em um CAPS.
- Preocupação, tristeza ou irritação que não passam há semanas.
- Dificuldade para dormir, se concentrar ou relaxar.
- Mudanças importantes na vida, como luto, separação, novo trabalho ou mudança de cidade.
- Vontade de se conhecer melhor e de entender seus padrões.
- Sensação de que conversar com amigos e família não tem sido suficiente.
Perguntas frequentes sobre terapia online
Como é a primeira sessão de terapia online?
É uma conversa de acolhimento por videochamada. O psicólogo ou psicóloga procura entender o que traz você, um pouco da sua história e o que espera do processo, e combina pontos práticos como frequência, horário e sigilo. Não há prova nem exigência de falar tudo logo de início.
O que preciso para fazer terapia online?
Basta um celular, tablet ou computador com câmera e microfone, internet estável e um lugar reservado. Fones de ouvido ajudam na qualidade do som e na privacidade. Vale testar o aplicativo de videochamada, como o Google Meet, alguns minutos antes da sessão.
E se eu chorar na primeira sessão?
É comum e acolhido. Chorar faz parte de falar sobre o que machuca, e o profissional sabe conduzir esses momentos com calma. Você pode pausar, respirar e retomar quando quiser.
E se eu não souber o que falar na primeira sessão?
Não precisa chegar com um roteiro. O psicólogo ou psicóloga costuma fazer perguntas para ajudar a conversa a fluir, e você pode dizer que não sabe por onde começar. Muitas pessoas chegam apenas com um incômodo difícil de nomear.
A terapia online é sigilosa?
Sim. O sigilo é um dever do profissional também no atendimento online. A Resolução CFP nº 9/2024 prevê que o psicólogo informe quais recursos tecnológicos utiliza para garantir o sigilo. Você contribui escolhendo um local reservado e usando fones de ouvido.
Preciso de diagnóstico ou encaminhamento para começar a terapia?
Não. Você pode procurar psicoterapia por conta própria, mesmo sem diagnóstico e sem um motivo bem definido. O diagnóstico, quando necessário, é feito por profissionais habilitados depois de uma avaliação.
Fontes e referências
- Conselho Federal de Psicologia — Resolução CFP nº 9/2024 (psicologia mediada por tecnologias digitais), texto na íntegra
- NHS (Reino Unido) — Cognitive behavioural therapy (CBT)
- Organização Mundial da Saúde — Anxiety disorders (ficha informativa)
Este texto é informativo e foi escrito pela psicóloga Elane Cruz (CRP-03/21274). Ele não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento individualizado. Em caso de dúvida sobre sua saúde, procure um profissional.


